Caracterização Institucional

CEDEAO reúne em Monróvia e exige cumprimento do Acordo de Conacri

5 Junho, 2017

Os Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica da África Ocidental (CEDEAO) reuniram ontem (4 de Junho) em Monróvia, Libéria, para analisar a crise política na Guiné-Bissau, tendo decidido que o país deve aplicar o Acordo de Conacri e colocar em primeiro lugar “o interesse da Nação”.
Da reunião, em que participou o primeiro-ministro de Israel, país que pretende aderir à CEDEAO, saiu a indicação clara de que a Guiné-Bissau deverá cumprir o acordo assinado em Conacri, no final de 2016, e que estabelece que o Presidente José Mário Vaz deverá demitir o primeiro-ministro que nomeou, por iniciativa presidencial, e nomear outro em consenso com os partidos com assento parlamentar, que deverá governar até às próximas eleições.
José Mário Vaz já afirmou que não o fará e tem o apoio expresso de 12 partidos, sem assento parlamentar, que na passada sexta-feira emitiram um comunicado, onde acusam dirigentes do PAIGC de serem os principais responsáveis pela crise política no país, de bloquearem o funcionamento do Parlamento e de incitarem os militares a um golpe de Estado.
A mesma posição tem o PRS, segunda maior força política da Guiné-Bissau que, em conjunto com 15 deputados dissidentes do PAIGC, pediu uma sessão parlamentar para 13 de Junho, a fim de aprovar o programa de Governo do actual primeiro-ministro. A pretensão foi reprovada pelo presidente do Parlamento, que considerou que o programa do actual executivo não pode ser votado por não respeitar o acordo firmado em Conacri.
Contra o Presidente está o PAIGC e vários grupos de mulheres e de jovens, nomeadamente o Movimento Jovens Inconformados da Guiné-Bissau, que na passada semana promoveu uma manifestação, que acabou com 12 manifestantes feridos em confrontos com a polícia, exigindo o cumprimento do Acordo de Conacri e a demissão, não só do primeiro-ministro, mas também do Presidente José Mário Vaz.
O país está dividido em dois, com posições inconciliáveis, agudizando-se a crise política, que não parece ter fim à vista.