Caracterização Institucional

Moçambique a caminho da paz mas ainda sem acordo assinado

8 Maio, 2017

Na véspera do fim do prazo das tréguas político-militares (5 de Maio) em vigor em Moçambique, para que a Frelimo e a Renamo se pudessem sentar à mesa das conversações e estabelecer um acordo de paz, Afonso Dlhakama, líder da Renamo, anunciou que as tréguas continuam por tempo indeterminado e que continuarão a decorrer as negociações para pôr fim à guerra no país.
Relembra-se que o conflito político-militar deflagrou em 2014, na sequência dos resultados eleitorais, contestados pela Renamo, e que opõe o exército e a guerrilha um pouco por todo o país, já tendo provocado muitas baixas, entre civis, militares, guerrilheiros, quadros políticos e mesmo estrangeiros.
Em teleconferência, Dlhakama anunciou que as tréguas irão continuar por tempo indeterminado, até que se alcance um acordo de paz definitivo, e que o Presidente da República, Filipe Nyusi, irá esta segunda-feira (8 de Maio) ordenar às Forças de Defesa e Segurança a retirada das posições na região da Gorongosa, onde se situam as principais bases da Renamo.
Dlhakama anunciou também que retirou da mesa de negociações a exigência da Renamo de nomeação de governadores provinciais nas seis províncias onde o partido reivindica vitória, e que levou ao conflito, por já não considerar essa nomeação uma prioridade, deixando a eleição destes dirigentes para as eleições gerais de 2019.
Os restantes partidos políticos declararam-se satisfeitos com este prolongamento das tréguas político-militares e acreditam que se caminha finalmente para a paz.
O mesmo pensa a embaixadora de Portugal em Moçambique, Maria Amélia Maio de Paiva, que em entrevista à RFI, considerou que este anúncio de tréguas sem prazo representa um grande ganho político, económico e social para os moçambicanos e estrangeiros que vivem no país.
A União Europeia também divulgou uma nota, em Maputo, onde classificou o anúncio feito por Dlhakama como um “desenvolvimento muito bem vindo” e a demonstração da “crescente confiança entre as partes”.