Economia

Cabo Verde quer receber mais de 3 milhões de turistas até 2030

28 Setembro, 2017

O sector do turismo vem assumindo uma importância crescente nas atividades económicas de Cabo Verde e tem constituído, nos últimos anos, o verdadeiro motor do desenvolvimento do país, quer em termos da sua contribuição para as receitas correntes da balança de pagamentos e para a diminuição do desemprego, quer pelos capitais estrangeiros que atrai, como ainda pelo impulso que vem dando a outros sectores de atividade (construção civil, comércio, serviços, transportes e comunicações, entre outros). O contributo do sector do turismo para o PIB não ultrapassava os 7,5% em 2000 mas atualmente situa-se perto de 25% do Produto, sendo responsável, diretamente, por cerca de 12 000 postos de trabalho. No entanto, sendo o all inclusive o modelo dominante, o valor acrescentado pelo sector ainda é reduzido.
Agora, o Governo traçou uma nova meta para este sector. Quer receber 3,15 milhões de turista até 2030. A ambição está vertida nas Grandes Opções do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável do Turismo no horizonte 2030, um documento elaborado pelo Governo após serem recolhidos subsídios em várias mesas redondas realizadas em quase todas as ilhas do país. Mas para que isso aconteça p Governo promete remover “alguns obstáculos”, ligados sobretudo aos preços dos transportes, infraestruturas, segurança e diversificação das ofertas e dos mercados. O plano estratégico, apresentado pelo diretor-geral do Turismo, Carlos Jorge Anjos, traça vários cenários para o setor nos próximos anos, mas o Governo pretende focar as medidas no cenário otimista moderado, considerado o “mais provável”. O país prevê receber 3,15 milhões de turistas até 2030, gerar mais de 30 mil empregos e receitas com a taxa turística a chegar aos 4,4 mil milhões de escudos (40 milhões de euros). Acresce que O investimento direto estrangeiro tem-se concentrado, com grande preponderância, no sector do turismo e hotelaria (21,3% do total de 2015), com particular destaque nas ilhas do Sal, Boavista, São Vicente e Santiago.
Recorde-se que que os últimos objetivos definidos por Cabo Verde visam atingir 1 milhão de turistas até 2020, atraindo-os de novos mercados como os países nórdicos (Suécia, Dinamarca e Noruega) e leste europeu (Polónia, República Checa e Rússia). Além disso, pretendia-se diversificar a oferta facilitando o acesso a outras ilhas (as mais visitadas são as ilhas da Boavista e do Sal) e criando programas para a visita das mesmas. No ano passado, Cabo Verde recebeu 640 mil turistas, um crescimento de 15%, e o diretor-geral do Turismo avançou que nos dois primeiros trimestres deste ano foram quase 400 mil. Portugal, que até 2008 representava o principal emissor de turistas, com cerca de 20,3% do total, foi ultrapassado pelo Reino Unido em 2009 (19,9%), passando a ocupar nesse ano a segunda posição (17,8%). Dados relativos a 2015 indicam que o Reino Unido continua a ser o principal mercado emissor de turistas, com 22% do total das entradas, seguido pela Alemanha (13,4%), Portugal (10,9%) e Países Baixos (10,6%).