Economia

FMI: eleições empurram crescimento do PIB

12 Outubro, 2017

A economia angolana deverá recuperar da estagnação do ano passado e crescer 1,3% este ano e 1,5% em 2018, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que atribui este crescimento ao aumento da despesa pública em ano de eleições. O FMI inscreve nas suas Previsões Económicas Mundiais divulgadas esta terça-feira em Washington, que a economia de Angola tem uma perspetiva de crescimento, este ano, de 1,3% para 1,5%, depois de sofrer uma recessão de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado. Recorde-se que a previsão do anterior Governo aponta para um crescimento de 1,1% em 2016 e de 2,1% este ano.
“Em Angola, uma perspetiva orçamental mais expansionista nas vésperas das eleições deste ano, juntamente com uma melhoria nos termos do comércio, deverá aumentar o crescimento para 1,3%”, escrevem os economistas FMI.
O mesmo documento refere que na África subsaariana, Angola é, aliás, juntamente com a Nigéria e a África do Sul, um dos responsáveis pelo crescimento de toda a região este ano, que deverá ver a sua economia subsaariana crescer 2,6%, mas o FMI sublinha que cada país apresenta uma razão específica e irrepetível no contributo para o crescimento da região.
Em Angola, é o aumento da despesa pública em ano eleitoral, ao passo que na Nigéria é o aumento da produção de petróleo e de produtos agrícolas, e na África do Sul o FMI sublinha a recuperação dos efeitos da seca e a melhoria nos termos do comércio.
Entre as preocupações expressas pelo FMI está a acumulação de pagamentos em atraso por parte do Estado, que os analistas estimam já valer “pelo menos 2% do PIB”, ainda assim bastante abaixo dos 3% que os peritos estimam existir em Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Angola foi bastante afectada pela descida do preço do petróleo desde meados de 2014, originando um desequilíbrio nas contas públicas devido à diminuição de receitas fiscais, a que se juntou o abrandamento económico mundial.
“Os países mais afectados por este novo ambiente de preços baixos ainda estão a debater-se com as pressões na balança de pagamento e a perda orçamental”, escreve o FMI, notando que “com os ajustamentos de política a serem adiados e ainda limitados nesses países, o contágio para os sectores não petrolíferos continua a prejudicar a economia”.
A consolidação orçamental, concluem, “permanece um tema urgente, para pagar o declínio nas reservas internacionais e para compensar a perda de receitas”, diz o FMI, que estima que a inflação deverá chegar aos 27% este ano e baixar para 17,8% em 2018.
Sobre a dívida pública, um dos temas mais em destaque nos últimos meses devido ao aumento deste indicador por causa dos desequilíbrios orçamentais um pouco por todo o continente africano, o FMI diz que “as condições mais apertadas de financiamento e o maior recurso ao financiamento através de dívida pioraram o custo do serviço da dívida”.
Assim se explica que nos países exportadores de petróleo o peso da dívida sobre o PIB tenha aumentado sete vezes, passando de uma média de 8% em 2013 para 57% em 2016, sendo “especialmente agudo na Nigéria, com 66% e em Angola”, onde a dívida valia no ano passado 71,9% do PIB, devendo descer para pouco acima dos 60% já este ano.
No último especto a que os técnicos do FMI se referem sobre Angola, menciona-se que a previsão sobre a inflação pode levar a uma subida dos preços, com tendência de elevar-se, “com uma taxa de dois dígitos, refletindo os persistentes efeitos dos choques inflacionários do passado, que resultam das fortes depreciações da moeda, bem como do aumento dos preços da eletricidade e dos combustíveis”.
Assim, os preços podem aumentar 30,9% este ano, descendo para 20,6% em 2018, depois de em 2016 terem subido 32,4%, segundo o FMI.