Economia

Rússia volta a construir novo satélite para Angola

23 Abril, 2018

O AngoSat-1 foi lançado em dezembro passado e desde então, o satélite permanece à deriva em órbita, em regime não controlado. Agora a Rússia vai voltar a construir um novo satélite angolano, o AngoSat-2. O Governo tem como objetivo reforçar as comunicações em Angola e o projeto vai implicar um investimento de 262 milhões de euros. José Carvalho da Rocha, ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação de Angola já esclareceu que o contrato celebrado entre Angola e Rússia para a construção do AngoSat-1 prevê que nessas situações deve ser construído um outro satélite, sem custos para a parte angolana.

O ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação de Angola anunciou hoje, em Luanda, a construção, na Rússia, de um novo satélite nacional, o AngoSat-2, para substituir o primeiro, que foi lançado em dezembro e que permanece à deriva em órbita, em regime não controlado. “Da análise que as nossas equipas técnicas têm estado a realizar, com bastante intensidade, na sexta-feira, no sábado e no domingo, verificámos que o AngoSat-1, apesar de estar em órbita, não apresenta os parâmetros para os quais foi contratado”, anunciou José Carvalho da Rocha ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação de Angola. O ministro angolano falava após a assinatura de uma adenda ao contrato de construção do satélite angolano com o consórcio russo formado pela S.P. Korolev e SC Energia, na presença de representantes do Governo de Moscovo e da agência espacial daquele país.

Recorde-se que o AngoSat-1 foi posto em órbita no dia 26 de dezembro passado por meio do foguete Zenit, lançado do cosmódromo Baikonur. Passados oito minutos após o lançamento, o propulsor Fregat se separou do foguete, conforme estava planejado, e colocou o satélite na órbita terrestre. No entanto, posteriormente, foi informado que o satélite deixou de transmitir dados de telemetria. Em janeiro a empresa RKK Energia revelou problemas com a fonte de alimentação do satélite, mas decidiu não tomar medidas antes do satélite entrar na zona de radiovisibilidade.

“Diante desta situação há uma pergunta que se coloca: o que fazer? Naturalmente, as duas equipas (Angola e Rússia) cingiram-se ao contrato, e o artigo 12.º prevê que nessas situações deve ser construído um outro satélite, neste caso o AngoSat-2, sem custos para a parte angolana”, explicou José Carvalho da Rocha. Acrescentou que, também ao abrigo do contrato inicial, impõe-se que durante o período de construção do AngoSat-2 “devem ser fornecidas as compensações para que os serviços [de comunicação] continuem a ser prestados”. “Há uma série de serviços que nós prevíamos assentar no AngoSat-1”, recordou, acrescentando que a adenda ao contrato hoje assinada previa a construção do AngoSat-2 e a disponibilização de largura de banda para comunicações. Construído por aquele consórcio estatal russo, cujas negociações entre os dois países arrancaram em 2005, o Angosat-1 foi lançado em órbita, a partir do Cazaquistão, com recurso ao foguetão ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo a Roscosmos, empresa espacial estatal da Rússia.

A construção arrancou a 19 de novembro de 2013 e o lançamento aconteceu a 26 de dezembro de 2017. A construção do AngoSat-1, de acordo com dados do Ministério das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, envolveu três contratos, o primeiro dos quais, no valor de 252 milhões de dólares (205 milhões de euros), para a construção e o lançamento do satélite. Neste caso, só a construção do satélite está avaliada em 120 milhões de dólares (98 milhões de euros). Um outro contrato, no valor de 50 milhões de dólares (40 milhões de euros), envolveu a construção de todo o segmento terrestre e o Centro de Comando de Satélite, localizado na Funda, nos arredores de Luanda. O terceiro contrato, de 25 milhões de dólares (20 milhões de euros), serviu para alugar a posição orbital onde o satélite permaneceria durante 18 anos. Globalmente, o projeto representa um investimento superior a 320 milhões de dólares (262 milhões de euros) do Estado angolano e pretende reforçar as comunicações no país, fornecendo ainda serviços para parte do continente africano.