Um país virado para o mar
Com uma área de 36 125 km², a Guiné-Bissau estende-se por um território de baixa altitude. O seu ponto mais elevado está 300 metros acima do nível do mar, sendo o interior do território formado por savanas e o litoral por uma planície pantanosa. O período chuvoso alterna com um período de seca, com ventos quentes vindos do deserto do Sahara. O arquipélago dos Bijagós situa-se a pouca distância da costa.
Caracterização etnológica
A população da Guiné-Bissau é étnicamente diversa e tem muitas línguas distintas, costumes e estruturas sociais.
A população, que se estima em1,8 milhões de habitantes, divide-se, no norte e nordeste do território, entre fulas e os povos de língua mandinga. Os balantas vivem nas regiões costeiras do sul e os manjacos ocupam as áreas costeiras do centro e norte. A restante população é mestiça, com ascendência mista de portugueses e africanos, além de uma minoria de Cabo Verde.
Após a conquista da independência da Guiné-Bissau, a maioria dos cidadãos portugueses optou por deixar o país, estando actualmente a residir no território cerca de 1 400 portugueses.Na secção consular do Portugal na Guiné-Bissau, estão inscritas cerca de 7 mil pessoas, a grande maioria com dupla nacionalidade.
O país tem uma pequena população de chineses, onde se incluem comerciantes de ascendência portuguesa e chinesa de Macau, antiga colónia portuguesa na Ásia.
Apesar de o português ser a língua oficial do país, apenas 14% da população fala este idioma. Cerca de 44% da população fala kriol, uma língua crioula baseada no português. Os restantes habitantes falam uma variedade de línguas africanas nativas de várias etnias.
O francês é a segunda língua ensinada nas escolas, pois o país é cercado por países de língua francesa, além de ser membro da Francofonia.
Continuar a ler
Religião
Apesar de quase até ao final do século XX a maioria dos guineenses praticarem alguma forma de animismo, acreditando que plantas e animais possuíam uma essência espiritual, desde o início do presente século muitos converteram-se ao islamismo, religião que hoje é praticada por quase 50% da população do país. A maioria dos muçulmanos da Guiné-Bissau é da denominação sunita, sendo que cerca de 2% pertence à Ahmadi.
O cristianismo é seguido por apenas 10% da população do país e 40% continua a manter as crenças nativas, apesar de praticarem formas sincréticas das religiões muçulmana e cristã, combinando estas confissões com as crenças tradicionais africanas.
Economia
O produto interno bruto (PIB) per capita da Guiné-Bissau é um dos mais baixos do mundo, cerca de 589 dólares, segundo dados de 2014. Também quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dos piores, situando-se na posição 177.
Mais de dois terços da população vive abaixo da linha da pobreza, dependendo a economia principalmente da agricultura e da pesca. Castanha de caju, nozes moídas e peixe, sem transformação industrial são os seus principais produtos de exportação.
Longos períodos de instabilidade política resultaram numa atividade económica deprimida e na deterioração das condições sociais. Uma guerra civil, vários golpes de estado, governos instáveis, têm impedido o desenvolvimento da economia, apesar da aprovação de um pacote de ajuda financeira para fazer face a uma reforma estrutural, com o apoio do FMI, que tarda em mostrar resultados.
As relações comerciais da Guiné-Bissau desenvolvem-se com a Índia, a China, o Togo e os Países Baixos, seus principais clientes, tendo como fornecedores principais Portugal, Senegal e Reino Unido.
Saúde e Educação
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que há menos de cinco médicos para cada 100 mil habitantes no país. O elevado número de pessoas infectadas com malária, cólera e o vírus HIV/SIDA são os mais graves problemas de saúde com que a população, que dificilmente tem acesso a cuidados médicos, se confronta, num país com extrema escassez de medicamentos, material hospitalar e profissionais da área. A esperança média de vida na Guiné-Bissau é de 52,4 anos, o que mesmo assim mostra um avenço em relação a 2008, em que esta média se situava nos 49 anos.
Em junho de 2011, o Fundo de População das Nações Unidas divulgou um relatório sobre o estado da obstetrícia no mundo, revelando que na Guiné-Bissau, em 2010, a taxa de mortalidade materna a cada 100.000 nascidos era de mil. O grau de literacia na Guiné-Bissau, onde a educação é obrigatória a partir dos 7 anos de idade, situa-se nos 59,9%. O trabalho infantil é muito comum no país.
Organizações Internacionais
A Guiné-Bissau faz parte do Banco Africano para o Desenvolvimento, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, CPLP, Organização Internacional da Francofonia, FMI, Interpol, ONU, UNESCO, Organização Mundial de Saúde, Banco de Desenvolvimento do Oeste Africano, União Económica e Monetária do Oeste Africano e União Africana.