Com 799 380 quilómetros quadrados de área territorial e uma população de cerca de 27 milhões, Moçambique é o 34º maior país do mundo em área territorial. Está localizado na costa oriental da África Austral, fazendo fronteira com a Suazilândia ao sul; com a África do Sul a sudoeste; com o Zimbabwe a oeste; com a Zâmbia e Malawi a noroeste; com a Tanzânia ao norte e com o Oceano Índico a leste.
A norte do rio Zambeze o território é dominado por um grande planalto, com uma pequena planície costeira rodeada de recifes de coral e, no interior, limitada por maciços montanhosos do sistema do Grande Vale do Rift. A sul é caracterizado por uma larga planície costeira de aluvião, coberta por savanas e cortada pelos vales de vários rios, entre os quais se destaca o rio Limpopo.
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Caracterização etnológica
As províncias da Zambézia e Nampula são as mais populosas do país e concentram cerca de 45% da população moçambicana. Os macuas são o grupo dominante na parte norte do país, os sena e shonas (principalmente ndaus) são proeminentes no vale do Zambeze e os tsongas são predominantes no sul de Moçambique. Outros grupos incluem os macondes, WaYaos, suaílis, tongas, chopes e ngunis (incluindo zulus). Povos bantos compreendem 97,8% da população, enquanto o restante inclui africanos brancos (em grande parte de ascendência portuguesa), euro-africanos (mestiços de povos bantos e portugueses) e indianos. Cerca de 45 mil pessoas de ascendência indiana residem em Moçambique.
Durante o governo colonial português, uma grande minoria de pessoas de ascendência portuguesa vivia permanentemente em quase todas as regiões do país e moçambicanos com sangue português, no momento da independência do país, eram cerca de 360 mil pessoas. Muitos deles deixaram a região após a independência moçambicana em 1975. Residem cerca de 25 mil portugueses em Moçambique e estima-se que a comunidade chinesa se situe entre as sete mil e as doze mil pessoas.
O português é a língua oficial e a mais falada do país, usada por pouco mais da metade da população. Cerca de 38%, principalmente a população africana nativa, usa o português como segunda língua e 12,78% falam-na como primeira língua. A maioria dos moçambicanos que vivem nas áreas urbanas usam o português como principal idioma.
As línguas bantas de Moçambique, que são as mais faladas no país, variam muito nos seus grupos. Além de ser uma língua franca no norte do país, o suaíli é falado numa pequena área do litoral próxima à fronteira com a Tanzânia; mais ao sul, na Ilha de Moçambique, é falado o mwani, considerado como um dialeto do suaíli, No interior da área de suaíli, o maconde é o idioma mais falado, separado da área onde ciyao é usado por uma pequena faixa de território de falantes da língua macua. O maconde e o ciyao pertencem a grupos linguísticos diferentes, sendo o ciyao muito próximo da língua mwera da área do planalto Rondo, na Tanzânia. Alguns falantes do nianja são encontrados na costa do lago Malawi, bem como do outro lado do lago na fronteira com o Malawi. Há falantes de emakhuwa, com uma pequena área de língua eKoti no litoral.
Árabes, chineses e indianos falam principalmente português e, alguns, hindi. Indianos provenientes da Índia Portuguesa falam qualquer um dos crioulos portugueses da sua origem, além do português como segunda língua. O censo de 2007 revelou que os cristãos formam 56,1% da população e os muçulmanos compunham 17,9% da população de Moçambique, enquanto 7,3% das pessoas afirmaram praticar outras crenças, principalmente o animismo, e 18,7% não tinham crenças religiosas. A Igreja Católica Romana estabeleceu doze dioceses no país (Beira, Chimoio, Gurué, Inhambane, Lichinga, Maputo, Nacala, Nampula, Pemba, Quelimane, Tete e Xai-Xai; arquidioceses são Beira, Maputo e Nampula). Estatísticas para o número de católicos variam entre 5,8% da população na diocese de Chimoio, para 32,50% na diocese de Quelimane.
Economia
Moçambique produz e exporta produtos agrícolas e bens alimentares, principalmente camarão, castanha de caju, copra, chá, mandioca, sal e algodão. Também é um exportador de electricidade, gás natural, produtos petrolíferos, carvão, grafite, bauxita e alumínio.
A oeda oficial é o metical, que substituiu a moeda antiga a uma taxa de mil para um. O metical antigo foi retirado de circulação pelo Banco de Moçambique no final de 2012. O dólar estadunidense, o rand sul-africano e, recentemente, o euro, também são moedas amplamente aceites e utilizadas em transações comerciais no país. O salário mínimo legal foi este ano fixado pelo Governo em cerca de 60 euros por mês (3.298,00 Metical), para o sector da agricultura, caça, pecuária e silvicultura. Os salários mais elevados foram fixados para as actividades de serviços financeiros (entre os 8.400 e os 8,750 metical).
Moçambique é membro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). O protocolo de livre comércio da SADC visa tornar a região da África Austral mais competitiva, ao eliminar tarifas e outras barreiras comerciais.
No entanto, segundo informações de 2014, o desemprego no país rondava os 30%, o que obteve a discordância de várias entidades e analistas internacionais, que estimavam um valor muito mais elevado. Assume-se que as contas não serão fáceis de fazer, uma vez que mais de 70% da população vive da agricultura e quase na sua maioria de subsistência.
Apesar do crescimento do PIB moçambicano nos últimos anos, prevendo-se que a economia em 2016 cresça cerca de 6%, o país continua a ser um dos mais pobres e subdesenvolvidos do mundo. Em 2014 Moçambique situava-se na 178ª posição quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano a nível mundial.
Na lista de competitividade da GCI (2015) Moçambique posicionava-se no lugar 133, na transparência (CPI 2014) em 119º lugar e quanto a ambiente de negócios (Banco Mundial 2015) 127º posição.
Saúde e Educação
A taxa de fecundidade moçambicana é de cerca de 5,5 nascimentos por mulher. O gasto público em saúde é muito baixo, no entanto a esperança média de vida tem vindo a aumentar, situando-se, de acordo com os últimos dados, nos 52,6 anos. No início do século XXI, havia três médicos por 100 mil habitantes de Moçambique e a mortalidade infantil era de 100 por mil nascimentos em 2005.
Em 2007, um milhão de crianças ainda não ía à escola, a maioria delas de famílias rurais pobres, e quase metade de todos os professores em Moçambique ainda estavam desqualificados. A escolarização das raparigas aumentou de três milhões em 2002 para 4,1 milhões em 2006, enquanto a taxa de conclusão aumentou de 31 mil para 90 mil.
A subnutrição e os atrasos no crescimento continuam a atingir níveis muito elevados e a malária continua a ser a causa mais comum de morte, responsável por 36% da mortalidade infantil e por 30% da mortalidade em geral.
O HIV, entre a população adulta, apesar de estar a registar um decréscimo, ainda atinge os 12%.
Moçambique é um dos países do mundo com menor consumo de água. Numa lista de 135, posiciona-se em 128º lugar no acesso a fontes de água e no 119º lugar no que respeita ao saneamento.
De acordo com dados de 2010, o grau de literacia situa-se nos 56,1%, sendo que as despesas com Educação em 2013 representaram 6,6% do PIB do país.
Organizações internacionais
Moçambique faz parte da Cpmunidade para o Desenvolvimento da África Austral, CPLP, Commonwealth, FMI, Interpol, Organização Internacional do Trabalho, Organização Marítima Internacional, ONU, Organização Mundial de Saúde, Organização Mundial do Comércio e União Africana.