Sociedade

Surf. Há ondas em São Tomé?

13 Outubro, 2016

Como é que um país cuja cultura de surf é “zero” chega a um campeonato do mundo? É a primeira vez na história da modalidade que São Tomé e Príncipe se inscreve numa competição a nível internacional. Nos próximos dias, nos Açores, três atletas estarão em prova: José Guerra («Zezito»), de 12 anos, e Danilk Afonso e Edmilson Camblé («Jejé»), de 18. Das primeiras ondas em tábuas de madeira ao surf profissional há um salto gigante, só possível antes de mais graças a sonho português. Uma boa história

Hoje, Zezito, Danilk e Jejé estão no segundo dia do campeonato do mundo de surf júnior, etapa que está a decorrer na ilha de São Miguel, nos Açores. E só por isso já são campeões. É a primeira vez na história do surf que uma equipa são-tomense participa numa competição internacional. É, também, uma primeira grande aventura para estes miúdos: saírem do seu país, andarem de avião, em escadas rolantes ou numa autoestrada. Nasceram numa realidade diferente, num país sem cultura de surf. Zero. Ali, com o mar a relação é sobretudo de sobrevivência: a pesca. Não chegaram a Portugal perdidos e não começaram a pôr-se de pé numa prancha sozinhos. Estão bem acompanhados, com pessoas que acreditam e que lutam pelo sonho deles. Que é também o seu. Os portugueses Paulo Pichel, Miguel Ribeiro e João Sousa são, neste momento, o suporte destes jovens, a juntar a todo o apoio – principalmente de amigos – que têm tido ao longo dos últimos anos e que torna possível mostrar-lhes o mundo, assim como mostrar ao mundo de onde vêm.

Fonte: Diário de Notícias